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Teologia Arminiana

Livre Arbítrio

O que é livre-arbítrio?

O primeiro passo na séria discussão de qualquer questão deve ser sua clara definição. Começo, portanto, explicando o que quero dizer por liberdade da vontade.

Livre-arbítrio não é uma “coisa”, uma substância ou uma essência distinta que faz parte de um ser humano. Dizer que uma pessoa temlivre-arbítrio não é a mesma coisa que dizer que uma pessoa temum corpo — ou espírito, ou alma. (Não tenho interesse algum, aqui, no debate se os humanos são seres dicotômicos ou tricotômicos.)

O que está claro é que uma pessoa tem — ou é? — uma vontade.Presumo que o leitor — qualquer leitor cristão, ao menos — concordará. O substantivo vontade está intimamente associado, e seu significado, envolvido, com outras palavras como desejo, propósito, intenção, determinação, e decisão. Dizer que uma pessoa tem uma vontade é dizer que uma pessoa experimenta propósito, intenciona coisas, e toma decisões. Máquinas não fazem este tipo de coisa, independente de quão sofisticadas elas sejam. Nós só antropomorfizamos quando dizemos coisas como: “Meu computador pensa que eu quero a próxima palavra após um ponto com letra maiúscula”. Computadores, tão maravilhosos como são, não “pensam” nem um pouco; eles só fazem o que são programados para fazer pelas pessoas que pensam. Eles não tomam decisões; eles não experimentam a realização ou frustração de propósitos. Somente os humanos, somente essências que são conscientes de si mesmas como seres, funcionam dessas maneiras. Somente tal essência pode desejar. (Vontade funciona tanto como verbo quanto como substantivo.)

Descrever a vontade humana como livre é dizer algo acerca de como ela funciona. Em um sentido, então, falar da vontade como livre é dizer algo redundante. Tome cuidado acerca de como rejeita o livre-arbítrio: você pode muito bem negar a própria vontade. Certamente, quando utilizamos o termo livre-arbítrio, nós pretendemos comunicar a noção de que escolhas estão envolvidas. Mas esta noção já é inerente na palavra inalterada. A primeira definição que meu dicionário fornece para vontade é, “o poder de tomar uma decisão ou fazer uma escolha racional”1. Dizer que as pessoas exercitam suas vontades é pouco, ou nada mais do que dizer que elas escolhem. Qualquer escolha ou decisão, nós chamamos de volição, um ato ou exercício da vontade

Robert E. Picirilli

Extraído de Livre Arbítrio Revisitado, Editora Palavra Fiel.

Graça

A necessidade do estudo da graça

A graça é a maneira de Deus empoderar a vontade cativa e curar o espírito sofredor. A graça oferecida na comunidade cristã é intencionada a todos. A bênção imerecida de Deus está sendo oferecida a todos que estão alienados de seus próprios seres.

Existe um vazio na estante-padrão de livros sobre autoajuda. Este vazio está esperando para ser preenchido pelo pensamento cristão clássico sobre a graça. Os popularizadores da formação espiritual nos oferecem uma centralização sem um centro, meditação sem um Tu divino, realização pessoal sem história. Agora estamos armados com uma estantezinha de livros de estratégias para crescimento pessoal controlada por ideias de planejamento humano e conveniência, mas que carecem de capacitação plausível. Minha tarefa é mostrar como a graça busca a alma perdida, reaviva os espiritualmente desmoralizados e evoca crescimento espiritual.

A graça é a nota não ouvida no coro estridente da literatura sobre espiritualidade e desenvolvimento moral. A espiritualidade cristã quietamente prospera sobre a graça. A capacitação do lânguido espírito humano vem pela graça. Uma nova vontade está sendo oferecida à velha vida, presa em pecado.

Pense nisto como um breve curso sobre graça em cuidado pastoral, graça em formação espiritual, e graça em testemunho evangélico. Ao demarcar este caminho, eu, de maneira consciente e irrestrita pergunto muito ao leitor, pois o assunto muito exige, mas não sem dar muito em troca. É a intenção da Palavra de Deus ser ouvida claramente, e não retornar vazia.

O propósito do cuidado é tornar a verdade da graça plausível e apropriável na vida interior do indivíduo. O propósito da pregação é atestar a história da graça, eficazmente em operação em meio à história do pecado.

Thomas Oden

Extraído de O Poder Transformador da Graça, Editora Palavra Fiel, pp. 22,23.

Jarran Reed Jersey